
Wesley Zinek
No sábado, dia 30/7/2011, cerca de 800 pessoas se reuniram no vão do MASP na Avenida Paulista, São Paulo, para marchar em favor da liberação da maconha. No Senado, há uma forte proposta de legalizar a droga por grande parte dos deputados e senadores. No dia 3/6/2011, estreou um documentário chamado Quebrando o Tabu, que tem como apresentador o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendendo a liberação da maconha com uma profunda análise política, social e biológica, juntamente com especialistas como o Dr. Dráuzio Varella. Dos assuntos a serem decididos no Brasil, a questão da maconha é uma importantíssima pauta, que deve ser levada em consideração por todo brasileiro. Neste artigo, pretendo abordar a questão não com um discurso moralista de um crente que se interessa em preservar apenas a identidade evangélica, mas pensar qual é o impacto que isso pode causar na sociedade e suas esferas.
A maconha e seus efeitos
A maconha (Cannabis Sativa) é uma erva que tem suas utilidades medicinais, porém, com maior amplitude, é usada como forma para alteração dos sentidos, com o intuito geralmente de fugir dos problemas objetivos ou subjetivos da vida. Ou seja, utilizando-a como droga. A maconha, também conhecida como baseado, fininho, verde, erva, pacau, geralmente é fumada em papel de seda e causa efeitos variados, dependendo da quantidade, tais como sonolência, relaxamento, risos sem motivo, memória e movimentos lentos, desequilíbrio e perda da noção do tempo. A pessoa fica com os olhos vermelhos, boca seca, pressão baixa e muita fome, chamada de Larica. Em uma maior quantidade, pode causar alucinações e perda dos neurônios, que são irrecuperáveis.
A maconha causa dependência e há necessidade do aumento do uso para suprir o efeito que não mais tem como da primeira vez. E, para se ter um efeito maior, passa-se para outras drogas mais pesadas, as químicas. Por isso é dito que a maconha é porta de entrada para outras drogas. A grande maioria dos usuários de crack ou cocaína começou pela maconha.
Há uma grande quantidade de opinião de que a maconha não é mais tida como droga, tendo em vista a cocaína e o crack. Ouvimos dizer que, quando a pessoa estava fumando maconha, tinha controle sobre ela, mas percebeu que estava enganada por ter buscado um maior efeito nas drogas mais pesadas, sobre as quais não tem controle como na maconha.
Condenada por uns, aprovada por outros, a maconha tem expandido seu espaço no Brasil e já é comercializada legalmente em países como Holanda e Estados Unidos. A maioria dos dependentes químicos em processo de recuperação abomina o seu uso. A mesma opinião têm os pais que perderam seus filhos para o tráfico ou para a Cracolândia. Por outro lado, há manifestações pela legalização por parte dos “foras da lei”, que são contra qualquer tipo de proibição, com o apoio de políticos, que apóiam seus argumentos em favor da saúde pública. Quem está certo? Quem está errado? E como você defenderia ou argumentaria sua opinião? Com um discurso “evangeliquês” que apenas diz que é pecado e ponto final e que os maconheiros vão todos para o inferno ou como um cidadão que acredita que Cristo está regenerando todas as esferas da sociedade e que defender o evangelho é posicionar-se politicamente contra a legalização?
Certa vez, uma mãe disse estar incomodada porque o filho estava fumando maconha. Ela sabia que fazia mal e proibia-o de fumar, mas ele tinha tantos “bons” argumentos a favor da droga que ela acabou concordando que não fazia muito mal. Depois que o filho se envolveu com a criminalidade, ela percebeu que todo aquele discurso de erva natural, filosofia Bob Marley, legalize já, libertar a mente, só serviu para engano próprio. Sabemos que, quando alguém se envolve com a maconha, envolve-se também com aqueles que a comercializam e seus grupos de convivência nas festas, baladas, nos becos, nos cantos das escolas, e sempre quem financia é a criminalidade.
No documentário Quebrando o Tabu, o ex-presidente FHC fala que uma das questões a serem resolvidas com a liberação da maconha é impedir que o usuário se envolva com a criminalidade porque, hoje, quem comercializa é o narcotráfico. Legalizando, o usuário poderá, então, comprar em comércios específicos, como acontece em outros países, sem que o jovem precise buscar em uma boca de fumo ou biqueira (lugares em que se compra e usa). Mas e quanto às drogas mais pesadas? E quanto à cocaína e o crack, já que a maconha é a porta de entrada? Serão legalizadas todas as drogas? Serão legalizadas oportunidades de overdoses, de viver exclusivamente para o consumo de drogas? Infelizmente, o tráfico é forte demais para acabar através da aprovação de uma nova de lei de descriminalização. O tráfico mobiliza muitas coisas no sistema em que vivemos. Muitos poderosos estão envolvidos. Quem desses que ganham com o tráfico dividirão com os impostos o que eles podem lucrar integralmente? Mais do que um interesse de saúde pública, há um interesse político de poder em detrimento da saúde pública.
Outro argumento que apóia a legalização da maconha é o de que o álcool e o tabaco, que causam maiores danos do que a maconha, são liberados. Mas qual têm sido as conseqüências disso?
Exemplos práticos esclarecem o quão destrutivo é o fato de o tabaco e o álcool serem legalizados. Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional do Câncer no início desse ano mostra que a morte causada pelo tabagismo e seus efeitos em doenças vêm aumentando, chegando a 200 mil óbitos por ano no Brasil, sendo que, em cada 10 mortos, 7 são fumantes.
Em Diadema – município que era considerado um dos mais violentos de São Paulo – o número de homicídios, que era 31,2 por mês, foi reduzido para 12,5. Isso por causa de um decreto para fechar os bares mais cedo.
Diante de tudo isso, chegamos a uma postura e conclusão. Sabemos que o problema não é a maconha em si, mas o que faz com que os nossos jovens cheguem a procurar a droga e defendê-la. Tampouco, o problema é a legalização em si, mas a corrupção no nosso país que utiliza a política de legalização como artimanha de manipulação do poder. E, diante dessa conclusão, temos o desafio lidar com dependentes químicos, ter conversas francas com nossos parentes, amigos e filhos, nos envolver com grupos de apoio (como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Celebrando a Recuperação, Amor Exigente, etc), apoiar projetos que atuam tanto na recuperação quanto na prevenção, e cobrar dos governantes o compromisso com o cidadão, garantindo a valorização à saúde e denunciando as injustiças, porque esse é o papel do cristão: anunciar o evangelho e denunciar as injustiças.
O Wesley (Mindu), missionário na missão CENA, é membro da IPI Vila Cisper, São Paulo, SP ( O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. " data-mce-href="mailto: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. "> O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )











