aids ilustra

 

Cristão são os mais infectados pela Aids no mundo

 

Fernando Hessel

 

O sol aponta no horizonte e invade o quarto. Em seguida, os pássaros começam a cantar e o barulho do dia invade os ouvidos como o despertador natural para mais um dia de trabalho. Ainda na cama, pego o celular e começo a checar as informações das principais agências de notícias nacionais e internacionais.Uma delas dispara na tela. Era a ONU anunciando a mais nova estatística de 2010 sobre a AIDS no planeta: Terra, claro!

 

Tomo banho, engulo o café e chego ao escritório. Com mais tranqüilidade, abro o computador para maior reflexão e analiso as tabelas estatísticas; frias por sinal. E o dado ainda alarmante: mais de 33 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus macabro que dribla todos os feitos para destruí-lo. Impressionante ver o mapa mundial manchado em diferentes tons de vermelhos. Numa primeira análise, vemos o borro predominando em regiões denominadas abaixo do nível de pobreza e desenvolvimento. Lugares inóspitos desprovidos de qualquer evolução tecnológica e de acesso facilitado. Refiro-me a boa parte da África e da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). O resultado estampa os olhos; o fato é trágico, mesmo diante de volumosa publicidade sobre o tema que tem por objetivo conscientizar aqueles que ainda não foram infectados.

 

Já aos doentes o próprio vírus se incumbiu desta tarefa de dar um quase atestado de óbito.

 

Os casos de pessoas infectadas têm crescido em mais de 25 % em países como: Armênia, Bangladesh, Geórgia, Cazaquistão e outros. Já Angola, Argentina, França, Alemanha, Estados Unidos, Congo e outros têm números estabilizados devido a projetos patrocinados por países ricos que investem em estudos de campo.

 

O fato é que, diante deste panorama, o que mais me fez deitar sobre o encosto da cadeira do escritório foi perceber que os países mais infectados são os considerados cristãos.

 

De braços cruzados, vejo que os mulçumanos e judeus se saem bem melhores nesta constatação. Pelo que vemos, os países que professam a referida fé dos aiatolás estão com nota dez especificamente no quesito prevenção. Um tapa na cara dos cristãos que, em muitos países, se acham os melhores. Mesmo no Brasil, eu também me achava o supra-sumo, mas agora vejo que colocar a pseudo-razão cristã no meio das pernas foi a melhor solução para se ter uma análise mais próxima da realidade. O que estaria por trás de tão bom desempenho neste cenário? Eis aí um tema palpitante para refletirmos o papel da igreja neste contexto da doença ainda sem cura. Mas surge então o outro lado da moeda. O que poderíamos falar sobre os países mulçumanos na África? Eles também têm altos índices de contaminação e, neste caso, a religião mulçumana não conseguiu impedir o crescimento de infectados. Está colocada à mesa uma discussão que merece ser amplamente propagada neste importante meio de comunicação da igreja.

 

E, por falar em África, encontramos neste continente o país com o maior índice de infectados pela AIDS na população proporcionalmente do mundo. Estamos falando de 25,9% dos nativos em Suazilândia contaminados pela AIDS. O desespero do governo daquele país é tão grande que políticos estão em fase de aprovação de uma lei para tentar conter esta onda de infecção deste vírus mortal. O primeiro-ministro Timothy Myeni quer aprovar um projeto para que aqueles que forem diagnosticados com a doença sejam marcados com um logotipo na nádega para identificação. O procedimento a priori seria simples. Cada pessoa que realizasse o teste anti-HIV e fosse constatado soropositivo receberia imediatamente um carimbo tipo tatuagem com o símbolo do laço vermelho, marca mundial da luta contra o HIV. Este símbolo ficaria na pessoa para sempre. Fico imaginando: se sociedade médica encontrar a cura da AIDS, como ela faria para arrancar esta marca. Sabemos hoje que, mesmo com tanta tecnologia estética, muitas pessoas não conseguem remoção total de tatuagens do corpo humano. Mas a finalidade deste projeto é tentar reduzir a propagação da AIDS que, segundo a ONU, ultrapassa a média registrada nos países que lutam contra este mal na população.

 

A Suazilândia está dividida frente ao projeto do primeiro-ministro, que também recebe apoio de vários executivos do atual governo, inclusive da Universidade Federal. Em contrapartida, existe uma forte resistência no próprio país e de organizações internacionais que defendem os direitos humanos repudiando este projeto.

 

Enfim, a luta contra este mal é diária, desenfreada e desesperada. Cabem obrigatoriamente reflexões e discussões sobre o tema, sem qualquer pudor. No final desta reportagem pergunto-me: De que maneira podemos ajudar a não comemorar mais este dia Mundial de Combate à AIDS?

 

O Fernando, jornalista, especializado em Diplomacia Brasileira pela USP, Pós-Graduado em Administração Gestão de Negócios e diretor da TV Bandeirantes no Tocantins, é membro da IPI Central de Palmas, TO (Twitter: @fernandohessel; E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )


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