Alex Sandro dos Santos
Há momentos que marcam nossa vida. Estes momentos podem parecer simples, contudo trazem lições profundas. A lição que eu quero compartilhar com você ocorreu em uma tarde de quinta-feira. Eu estava no gabinete pastoral, fazendo algumas anotações para um estudo bíblico, enquanto aguardava a chegada de uma mulher que havia marcado um aconselhamento. Aproximadamente às 16h00, a secretária bateu à porta e anunciou a chegada daquela jovem.
Read MoreEla pediu licença e entrou. Era uma jovem de, aproximadamente, 35 anos, media por volta de 1m65, tinha cabelos pretos, longos e enrolados, seus olhos eram castanhos e sua pele morena. Pedi para que sentasse, ofereci um café e, em seguida, prosseguimos com a conversa. Perguntei seu nome... Ela imediatamente me respondeu. Falei para ela ficar à vontade, dizer o que estava pensando e precisando, sem nenhum constrangimento.
Em seguida, ela me comunicou que a razão que a motivou de estar ali naquela tarde não era surpreendente. Acredito que seja por isso que fiquei surpreso. O assunto era tão comum e rotineiro que me dei conta de que estamos deixando passar despercebido, e acabamos nos adaptando a situações semelhantes à dela: a ausência do pai na vida do filho. Este problema está tão comum que não damos a devida atenção a ele. Falamos sobre como nos relacionarmos com pessoas difíceis, como perdoar aqueles que estão à nossa volta, de que forma desenvolver um ministério frutífero na igreja, como liderar com excelência e nos esquecemos de ensinar os pais a se relacionarem com seus filhos.
O fato é que aquela mãe e seu filho, de 7 anos, estavam sofrendo. A criança estava agindo com agressividade com os colegas de sala de aula; seu rendimento e aprendizado estavam sendo prejudicados; e suas palavras acerca do pai eram de críticas e de revolta. Como já sabemos, a ausência dos pais provoca sérios problemas. Em um diálogo marcado por perguntas e respostas de ambos os lados, compartilhei com ela o seguinte:
"Primeiramente, você precisa conscientizar seu marido de que ele precisa estar disponível para o seu filho. Diga-lhe que há pais que têm tempo para executivos, funcionários, telefonistas de telemarketing, mas que não têm tempo para seus filhos. Lembre-o que o maior investimento que ele pode fazer na vida de um filho não são os presentes que ele compra, mas, sim, o tempo que investe nesse relacionamento. Explique que o seu filho sente a necessidade de conversar e brincar com o pai. Que não importa a idade do filho, ele pode ser criança, adolescente, jovem ou adulto, sempre precisará da presença do pai. Insista nas idéias de que ele precisa dedicar tempo na vida de seu filho, fazer pelo menos uma refeição diária com ele. Mesmo que seu marido tenha retornado cansado do trabalho, de vez em quando, peça-lhe para ajudar com os deveres escolares; motive-o a praticar pelo menos uma vez por semana algum esporte com o filho; peça para reservar um tempo para tirar dúvidas que ele tenha sobre qualquer assunto (sexualidade, relacionamentos, conhecimentos gerais, etc.), pois a qualidade do tempo que os pais investem em seus filhos fará toda a diferença.
Não o deixe confundir atenção com aprovação de todos os atos praticados pelos filhos. Falo isto porque alguns pais estão tentando compensar sua ausência negligenciando a disciplina. Contudo, você precisa lembrá-lo de que a disciplina é uma demonstração de amor e o objetivo é o benefício do próprio filho. Ambos precisam saber disto. Ao disciplinarmos nossos filhos, estamos cumprindo nosso papel na formação de seu caráter. Sempre reforce a idéia de que, com disciplina, o filho aprenderá a ter responsabilidades, a respeitar autoridades e ter limites. Lembre-se que os pais precisam entender que a ação disciplinar também é um compromisso deles e não somente das mães. Portanto, diga ao seu marido que ele precisa aplicar a disciplina, explicando ao filho o que está sendo corrigido e o porquê. Os pais devem exercer a disciplina com bastante equilíbrio e bom senso. Infelizmente há pais que são exagerados... Alguns aplicam uma disciplina severa para casos em que bastaria uma simples conversa e são omissos para casos profundamente sérios. Recorde os ensinos de Salomão em Provérbios 19.18: "Discipline o teu filho enquanto há esperança". Oriente-o a não cometer o erro de anular a disciplina que foi aplicada por você, mesmo que vocês discordem (conversem em particular, posteriormente). E, após a aplicação da disciplina, orem com seu filho. Acredite! Vocês conseguirão!
Alerte-o para que seja uma pessoa alegre. Diga para ele: Não deixe que o mau humor tome conta de você! Há famílias que são destruídas devido ao mau humor crônico. Pais que estão insatisfeitos com a família e a vida, que guardam mágoas de todos, que nutrem sentimentos de vingança e acabam criando um ambiente de insegurança e insatisfação. Uma coisa é certa: os pais que estão sempre de mau humor acabam criando barreiras com seus filhos. Os filhos olham para os pais e, ao verem seu rosto transtornado, evitam conversa. A Palavra de Deus diz que a pessoa alegre tem um rosto formoso (Pv 15.13). Assim, a alegria quebra barreiras e contribui para uma aproximação (Pv 18.24). Quando os pais estão mais alegres, eles evitam exageros, não criando uma tempestade em um copo d'água".
Naquela tarde, pude orientar aquela mulher sobre o que ela poderia falar ao seu marido para melhorar a relação entre eles. Contudo, naquela mesma tarde, ela me ajudou a retornar para casa mais cedo e atentar para todas as minhas ações como pai.
O Rev. Alex, pastor da 1ª IPI de Machado, MG, é o secretário da Família da IPI do Brasil











