CÂNCER E ESTILO DE VIDA

Lísias Nogueira Castilho

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), nos próximos 20 anos morrerão cerca de 240 milhões de pessoas de câncer em nosso planeta. Isso dá uma média de 12 milhões de mortes por ano, o que é bem superior às médias dos últimos anos, de cerca de 8 milhões. Por quê? Porque a cura das mais de 100 doenças a cujo conjunto chamamos de câncer está ainda muito longe de ser alcançada, apesar da evolução da ciência e das conquistas médicas aguardadas para os próximos anos. Paralelamente, a população mundial envelhece depressa, o que faz com que diversas doenças cresçam proporcionalmente, como o diabetes, a osteoporose, a demência, a aterosclerose e o câncer. Outras causas para o panorama sombrio que aquelas duas prestigiosas organizações internacionais traçaram são o aumento da obesidade, o crescimento da poluição ambiental, o desenfreado crescimento do estresse urbano, a redução da camada de ozônio no planeta Terra, o ainda arraigado hábito de fumar, o aumento do alcoolismo e da dependência de drogas, a extraordinária produção de produtos químicos de toda ordem em nossas indústrias, entre diversos outros fatores.

No Brasil, são esperados cerca de 500 mil casos novos de câncer em 2011 e um número crescente nas próximas décadas, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Hoje, o câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil e em quase todo o mundo, perdendo apenas para os acidentes vasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral.

Cerca de 1 de cada 3 de nós enfrentará o câncer ao longo da vida e possivelmente morrerá dele, apesar de números favoráveis de cura em algumas das muitas formas de câncer. O câncer de testículo, por exemplo, tem a cura quase certa graças ao desenvolvimento da indústria farmacêutica. Outros casos, todavia, como o câncer de pulmão e de cérebro, têm a sobrevida curta, medida em meses, apesar de todos os recursos médicos disponíveis.

O que fazer? De prático, podemos fazer duas coisas. A primeira, e mais importante, é adotarmos um estilo de vida que nos afaste do câncer: controle da dieta e do peso, ginástica regular, uso de protetor solar desde a infância, dieta rica em vegetais, abstinência total do fumo, ingestão mínima e não diária de álcool, combate ao estresse e à depressão, fuga dos poluentes ambientais (difícil, mas possível) e outras muitas mudanças no modo de viver.

A segunda medida é nós nos submetermos à busca ativa dos tumores malignos a partir dos 40 anos de idade, quando a incidência de câncer é alta e crescente. Todos nós, homens e mulheres, temos de, humildemente, ir aos nossos respectivos médicos e passar por alguns exames anualmente, sempre no intuito de buscar um diagnóstico de doenças pré-malignas e de tumores malignos iniciais. Câncer descoberto em check-up, antes de provocar sintomas, tem alta chance de cura.

Isoladamente, de tudo o que foi apontado nas linhas anteriores, o mais importante, estatisticamente, é a abstinência do fumo. Sem sombra de dúvida, o hábito de fumar é a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Este é o verdadeiro inimigo número um da humanidade hoje. Deixar o cigarro faz parte de uma mudança significativa do estilo de vida e todos nós temos a responsabilidade de zelar por nossas famílias e nossos ambientes de estudo e trabalho. Abaixo o cigarro! É hora de cada um rever o seu modo de viver!

O Lísias é professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP, diretor clínico do Instituto do Radium de Campinas ( O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

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